Diretor do Sindiquinze publica artigo sobre fatores psicossociais do trabalho e assédio no TRT-15 em edição especial da Revista do Tribunal

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O diretor e coordenador do Núcleo de Saúde do Sindiquinze, Fauzi El Kadri Filho, é um dos autores da edição especial da revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, lançada nesta segunda-feira (04) pela Escola Judicial (Ejud-15). Intitulada “Assédios: caminhos para a transformação”, a publicação reúne pesquisadores e servidores do quadro para debater os impactos da violência laboral e os desafios para sua superação.

O artigo de Fauzi, “Fatores Psicossociais e Assédio no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região: condições de trabalho e adoecimento entre magistrados e servidores”, consolida anos de pesquisas acadêmicas desenvolvidas nos cursos de mestrado e doutorado pela Unicamp, além da participação do servidor como membro durante 4 anos do Subcomitê de Combate ao Assédio do TRT-15.

Intensificação do trabalho e fatores psicossociais

No estudo, o dirigente do sindicato aponta que a intensificação dos processos de trabalho, aliada a um modelo de gestão baseado em metas quantitativas muitas vezes dissociadas da realidade das unidades, representa um fator central de risco à saúde física e mental de magistrados e servidores.

A pesquisa demonstra que a sobrecarga de trabalho, a pressão por produtividade, a redução da autonomia e o baixo suporte institucional configuram um cenário propício ao estresse ocupacional e ao adoecimento. Dados levantados no TRT-15 indicam, por exemplo, que cerca de 40% dos servidores afirmam correr para cumprir prazos e lidar com excesso de tarefas.

O artigo também apresenta dados alarmantes sobre saúde mental no TRT-15. São recorrentes sintomas como ansiedade, insônia, tristeza e exaustão mental. Segundo o levantamento, 67% dos servidores relataram nervosismo, tensão ou preocupação recente e cerca de 45% dos servidores têm dificuldades para dormir. A prevalência de sofrimento psíquico chega a 37% entre os servidores.

Os dados reforçam a relação direta entre condições de trabalho e o adoecimento mental, especialmente em contextos de alta exigência e baixo suporte social.

Outro ponto relevante abordado por Fauzi El Kadri Filho é o impacto das condições de trabalho na capacidade laboral. O estudo demonstra que o adoecimento não se limita ao afastamento formal (absenteísmo), mas também se manifesta no presenteísmo, quando o trabalhador permanece em atividade mesmo doente.

No artigo, o diretor do Sindiquinze apresenta dados de uma pesquisa em que cerca de um terço dos servidores da 1ª instância apresentava capacidade de trabalho inadequada. Os dados dialogam diretamente com a pesquisa realizada pelo sindicato sobre o projeto Especializa & Equaliza, que evidenciou impactos das práticas gerenciais e sobrecarga especialmente na 1ª instância, reforçando a necessidade de avaliação permanente das condições de trabalho.

Assédio organizacional e práticas nocivas

O artigo também detalha a ocorrência de práticas de assédio no TRT-15. Entre os principais resultados das pesquisas institucionais destacadas estão:

  • 38% dos participantes afirmaram já ter sofrido assédio ou discriminação;
  • 30% apontaram pressão desmedida e metas impossíveis;
  • 26% identificaram ambiente propício a condutas assediadoras por superiores.

As práticas mais recorrentes incluem exposição vexatória, sobrecarga de trabalho com exigência de horas extras, perseguição, isolamento e ameaças, evidenciando um ambiente que compromete a saúde e a dignidade dos trabalhadores.

Para Fauzi, o enfrentamento do problema exige uma visão estrutural. “Enquanto fisioterapeuta, a sensação é de insuficiência, pois o adoecimento no trabalho não envolve apenas os aspectos ergonômicos, sobre os quais atuamos cotidianamente.

O fisioterapeuta ressalta ainda que “há um erro em individualizar o adoecimento no ambiente de trabalho. Ele precisa ser observado com mais amplitude”, destacando a necessidade de diálogo com as áreas técnicas do tribunal e adoção de práticas institucionais que atuem efetivamente sobre as causas do problema.

Além do diretor Fauzi, a edição especial da revista conta com a participação do psiquiatra do TRT-15 e sindicalizado, Dr. Pedro Henrique Santos Meloni, com artigo sobre racismo institucional e organização do trabalho, ampliando o debate sobre desigualdades estruturais no ambiente laboral.

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Por Caroline P. Colombo

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