Abertura do segundo dia do 11º Congrejufe debate conjuntura nacional e internacional

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O segundo dia de trabalhos no 11º Congresso Nacional de Servidoras e Servidores do PJU e MPU (Congrejufe) começou com importante debate sobre conjuntura nacional e internacional. Para trazer luz à discussão, os convidados foram a ex-secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT e atual secretária de Mulheres da Federação Democrática dos Sapateiros do Rio Grande do Sul, Rosane Silva; e o professor livre-docente do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/Unicamp), Plínio de Arruda Sampaio Junior.

‘Política da barbárie’

O professor Plínio de Arruda Sampaio, participou de forma virtual, e iniciou alertando sobre a atual crise capitalista estrutural que “tampa o buraco cavando um buraco maior ainda”, escancarando a gritante crise social existente no mundo. Plínio explicou que a eclosão da guerra na Ucrânia coloca em curso um processo de desglobalização que busca hostilizar a China e isolar a Rússia. Nesse sentido, a guerra impacta o Brasil de forma cruel, uma vez que o País se encontra vulnerável, com baixo crescimento, inflação alta, e com trabalhos ofertados de péssima qualidade.

Plínio ressaltou que a política da burguesia é a “política da barbárie” e que essa política é potencializada pela burguesia criando um abismo no tecido social, incluindo a tentativa de encerrar a pandemia por decreto. Existe, hoje, uma ostensiva permanente sobre o trabalho, sobre os trabalhadores e meio ambiente. A burguesia, então, permitiu a volta de uma política econômica ortodoxa, com aumentos das tensões sociais e aumento das tensões políticas, resultando, assim, em um colapso nacional iniciado com a política de Michel Temer e com a eleição de Bolsonaro: “Uma volta ao século 19”.

Já olhando para 2022, o professor destaca dois eixos da “política da barbárie”:

  • Primeiro, a continuidade do modelo econômico vigente com a manutenção da política do teto de gastos e da redução estrutural da presença do estado;
  • Segundo, a legitimação do golpe institucional à classe trabalhadora.

Nessa perspectiva, o professor apresenta alguns desafios para 2022: derrotar Bolsonaro e o bolsonarismo, dose máxima do neoliberalismo e da violência política; e colocar em xeque o modelo econômico-político atual.

Bolsonaro não é ‘cachorro morto’

Sobre o pleito deste ano, Plínio prega cautela e avisa: “Bolsonaro não é ‘cachorro morto’, ele é porta-voz de uma discurso anti-sistêmico” e, mesmo com toda tragédia, Bolsonaro continua vivo; de acordo com o professor, o presidente da República confronta as instituições e isso mobiliza a base raivosa dele.

O palestrante afirmou que Bolsonaro não será derrotado sem grandes mobilizações e que uma vitória eventual do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva não resolve o problema, apenas atenua. Sem uma mudança estrutural, o problema volta. Na figura do Bolsonaro ou de outro. Por isso é fundamental ir para rua e construir a unidade da classe.

Política de destruição da democracia

A secretária de mulheres da Federação Democrática dos Sapateiros do RS, Rosane Silva, também iniciou frisando que a atual conjuntura é bastante delicada com a guerra na Ucrânia e com a tentativa da extrema direita de tomar espaços de poder no mundo. No entanto, há sinais claros do avançar da democracia na América Latina como a disputa eleitoral na Argentina, no Chile, Honduras, entre outros países.

Rosane reitera que a política do governo Bolsonaro é a política de destruição da democracia, que se iniciou ainda no golpe contra a ex-presidente Dilma, em 2016, e culminou no governo Temer com a reforma trabalhista, ‘a ponte para o futuro’, até a reforma da Previdência de 2019 resultando em: 20 milhões de brasileiros que vivem na miséria, que não tem o que comer; 14 milhões de desempregados e crescimento da informalidade no País; inflação de dois dígitos.

A secretária destacou a importância da valorização do serviço público, principalmente durante a fase mais crítica da pandemia de Covid-19, onde servidoras e servidores do SUS, trabalharam na linha de frente da pandemia salvando muitas vidas.

Eleição estratégica

Para Rosane, a eleição em 2022 é estratégica na disputa de ideias, para se contrapor e mostrar para a população que existe uma saída: derrotar Bolsonaro e as ideias bolsonaristas e toda a sua política de ataque às mulheres, que resultou num expressivo aumento do feminicídio, ataque às instituições e ataque aos trabalhadores.

A ex-secretária da CUT ressalta que é importante reforçar que o Brasil é o País da distribuição de renda, das políticas públicas universais, do direito das mulheres, dos negros, direitos LGBTQIA+ e que é possível revogar a reforma trabalhista, revogar o teto de gastos e acabar com a independência do Banco Central.

De acordo com Rosane, é possível fazer uma nova Previdência, reforma trabalhista, reforma tributária mais justa (onde quem ganha mais pague mais), reforma política e estrutural. Dessa forma, é fundamental a unidade da classe trabalhadora: ocupar as ruas e fazer um diálogo mais próximo com a população para construir um Brasil para todas e todos. “Tudo o que a classe trabalhadora conseguiu foi com muita luta”, destaca.

Fonte/ foto: Fenajufe

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