Yanomami: não nos cabe o silêncio

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A semana passada se iniciou com a divulgação de uma tragédia humanitária que atinge o povo Yanomami. Embora soubéssemos do descaso do governo com os indígenas brasileiros, da desestruturação dos órgãos de defesa e do incentivo à violência nas questões fundiárias, dificilmente alguém poderia imaginar a extensão dos danos.

Dizem que uma imagem fala por mil palavras. Talvez por isso não haja palavra que descreva adequadamente o sofrimento do povo Yanomami e o choque que sentimos ao vermos as imagens dos efeitos da política de extermínio conduzida pelo governo Bolsonaro. Crianças à beira da morte. Idosos à beira da morte. Números que indicam claramente que vidas foram sacrificadas de forma deliberada, que crianças foram consideradas objetos dispensáveis e deixadas à própria sorte sem tratamentos médicos simples, que poderiam tê-las salvo.

Mas, ainda que faltem palavras, precisamos buscá-las, porque o silêncio não é uma opção moralmente válida. A atrocidade que ocorre neste momento pode parecer distante, com pessoas de culturas diferentes, longe do alcance das nossas ações. Ocorre que o genocídio contra os Yanomami é mais do que o extermínio cruel, comparável a um holocausto. O genocídio contra os Yanomami é um ataque desumano contra uma cultura que resiste em meio aos danos e destruições causados diariamente à natureza. Uma cultura que preza pelo cuidado e que entende a humanidade como parte da natureza, e não como dona dela. Uma cultura que poderia e pode salvar o mundo da extinção, mas que, em vez disso, se tornou alvo da mais perversa das atrocidades, o genocídio disfarçado de descaso. E essa atrocidade se aprofunda e se espalha cada vez mais se não a reconhecermos e denunciarmos. Como diz a jornalista Eliane Brum: negar um genocídio é semear o seguinte.

Nossa manifestação é pequena e dificilmente amenizará o sofrimento dos Yanomami. Mas ainda assim é necessária, como cidadãos, como parte da sociedade civil, como sindicato. Porque o silêncio é inadmissível.

Façamos parte do grito pela vida dos Yanomami, pelo não esquecimento, pela punição dos responsáveis. É o mínimo que podemos fazer.

Sindiquinze

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

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